BRAZILIAN ASSAULT 1986: VENOM NO BRASIL!

Postado por Programa Sleevers em 14/August/2008

  Por Ricardo Batalha (*)

 Venon

Apesar de considerar meu maior trunfo a memória, confesso que não tenho a mínima idéia de como consegui pegar o carro da minha família para ir ao show do Venom e Exciter, realizado a 10 de dezembro de 1986 no ginásio Poliesportivo do S.C. Corinthians Paulista, em São Paulo (SP). Não lembro se pedi com educação ou se tive que brigar e ir na marra. O detalhe importante não é que meus pais eram autoritários ou chatos, mas porque eu tinha dezessete anos.

Graças aos amigos de infância, os irmãos Raul e Mauricio Fernandes, eu já dirigia havia um tempo, pois “treinávamos” a direção (moto e carro) na fazenda deles, que ficava entre Alumínio e Votorantim, interior de São Paulo. Portanto, sabia dirigir, mas não tinha habilitação. E ainda por cima não podia contar aos meus pais que não dava para ir de metrô/ônibus porque o carro serviria como “lotação” de vários amigos meus e do meu irmão que eram fãs de Metal.

Minha mãe tentava argumentar sempre, mas quando o assunto era Heavy Metal ela sabia que não havia jeito. Meu falecido pai era liberal, mas vários de seus conselhos e ensinamentos versavam sobre os perigos do trânsito. Ele costumava dizer coisas como “O carro na mão de um imbecil se torna uma arma letal, mais eficiente que um revólver”; “O problema não é você, são os outros”… Bem, tempos depois, eu infelizmente descobri isso na pele.

Mas, enfim, consegui(mos). E lá fomos nós, aquela pequena “Venom’s Legions” para a Zona Leste conferir o primeiro evento de bandas underground realizado no Brasil. O Venom era febre por aqui. A velha geração dos roqueiros fãs de Rainbow não entendia como uma enorme massa de pessoas conseguia gostar daquele som sujo, agressivo, blasfemo e satânico. Mas o que importa é que o Venom tinha seus fanáticos seguidores. Eu e alguns amigos do Colégio Objetivo da Luis Góes - Mauricio “Gavião” Gawendo, Cláudio Fortuna, Dino Dragone - fazíamos parte da “Venom’s Legions” e tínhamos álbuns, EPs, vídeos piratas, patches, camisetas, pins (buttons)… O Dino, que hoje é um respeitado diretor de videoclipes, até tinha o bode do “Black Metal” tatuado no braço. Até mesmo quem não gostava muito da banda inglesa ficava fascinado com as capas e toda aquela aura misteriosa e obscura que girava em torno de Cronos, Mantas e Abaddon.

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Na semana que antecedeu o show houve a festa de lançamento do LP “At War With Satan”, organizada pela gravadora Continental. O evento foi na extinta casa noturna Woodstock, no bairro dos Jardins. Apesar de querer muito eu não fazia parte de nenhum veículo de mídia, mas através das amizades que havia feito por causa das filmagens de shows de bandas nacionais acabei conseguindo ir. E até levei outros amigos, dois que me fizeram (forçaram) começar a tocar bateria e montar a primeira banda, Cizânia.

Na cola veio Adalton Ribeiro, que nunca foi chegado em sons mais extremos e brutais, mas estava conosco em todas, tanto nas boas como nas roubadas. Dr. Adaltão - o “agitão” - não perdia uma e tinha que estar lá. O outro que esteve na festa da Continental foi Marcelo Fanin, então fanático pelo Slayer - acho até que ele tem culpa ou foi o pioneiro em gritar (urrar, berrar) “Slayeerrrr!!!!” em shows. Fanin acompanhava o Gavião e eu nas filmagens dos shows de bandas nacionais no Teatro Mambembe. Sempre que havia uma pausa naqueles shows ele gritava com uma voz mais potente que a do Max “Possessed” Cavalera. Certa vez um músico de uma banda que filmei (seria o Corpse?) veio me falar no camarim: “Pô, tinha um cara berrando mais alto que o som do palco!”. Tal cara era aquele baixinho parecido com o Jeff Hanneman, o Fanin.

A festa não foi lá essas coisas e ainda tivemos que sair antes da meia noite para poder pegar o metrô de volta. Fanin e Adalton também foram ao show, mas com outra turma. A que estava comigo naquela tarde de quarta-feira, 10 de dezembro de 1986, passou o trajeto todo falando das possibilidades do set list, de como aquilo era importante para nossas vidas. Afinal, enfim estavam olhando para o Brasil como rota de shows underground. O carro, apelidado de “Parati Slayer”, estava abarrotado. Eu, meu irmão Frederico “Leke”, meu primo João Cláudio e alguns amigos do Ipê Clube, entre eles, Marcelo Garcia, Yuri Barros e Alex Perri, e até o Alcides Júnior do Guarujá. Bem, tinha gente até no porta-malas do carro!

No caminho, a única preocupação era chegar ao Parque São Jorge. Nem estava pensando que não tinha habilitação, na Companhia de Engenharia de Tráfego, em comando da Polícia, nos amortecedores do carro que estavam ruins, na Argentina que tinha vencido a Copa do Mundo no México ou no Norman Bates em “Psicose III”, que tinha acabado de estrear nas nossas telas. Só Exciter e Venom! Ah, claro, e no ‘openning act’ de respeito, o Vulcano! Meu irmão até estava com a camiseta branca do Venom (”Welcome To Hell”) e que tinha o logo do Vulcano nas costas.

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Ao chegarmos na rua São Jorge 777 já presenciamos a enorme massa de fãs. Por sorte consegui estacionar o carro bem perto do ginásio, no estacionamento ao lado. Isso, graças ao Renato “Gênio” Bontempo, o sósia do Edmar, jogador conceitado do futebol brasileiro, que foi conosco na ida até o local do show e por ser associado do SC Corinthians Paulista nos deu a chance de estacinar o carro em um local tranqüilo - o “Edmar” era funcionário do escritório de advocacia do meu pai, assim como tinha sido o Totó (Antonio Greco), que havia nos levado anos antes no show do Kiss no Morumbi.

Mas a entrada foi quase um ato heróico. A PM estava com sua cavalaria a postos bem na frente do portão principal do clube, onde a fila gigantesca só ia aumentando. Na verdade aquilo não era uma fila, mas uma aglomeração de milhares de fãs loucos para entrar no ginásio. Nós ficamos andando de um lado para o outro sem saber o que fazer. Foi aí que começou o tumulto. E sobrou pra todo mundo. Teve gente que tomou borrachada nas costas, no peito, perdeu o tênis, o óculos e ficou com hematoma em várias partes do corpo. Marcelo Garcia, que estava conosco, foi um deles… Mas isto aconteceu por causa da desorganização, já que ninguém estava fazendo absolutamente nada, a não ser ficar gritando e berrando à espera da abertura dos portões. O fato até rendeu matéria “especial” no jornal Diário Popular do dia seguinte.

Mas enquanto eu estava naquela aglomeração monstruosa, quase esmagado, meu irmão já estava lá dentro junto com o Walcir Chalas, dono da loja Woodstock Discos. Walcir o colocou para dentro, já que ele tinha 14 anos de idade e não estava mais suportando ficar na “fila”. A sorte do meu irmão foi tanta que ele foi um dos primeiros a entrar no ginásio! Nesse meio tempo nossa turma retornou ao estacionamento para tentar argumentar se poderíamos usar a entrada lateral do clube. Nada feito, o xaveco não colou.

Enquanto isso, outros amigos estavam tranqüilamente jogando Basquete na quadra externa do clube. Um dos que editava o zine DeathCore comigo, Conrado Tabuso, fazia dupla com o André “Corinthians” Périgo – ambos jogavam no time do meu irmão, no Clube Paineiras do Morumby. Os irmãos Cláudio e Mauricio “Gavião” Gawendo chegaram bem mais cedo e como alguns entre eles estavam com camisas da Gaviões da Fiel e do Corinthians os seguranças pensaram que todos eram sócios e os deixaram entrar no clube. Essa foi a sorte deles, que ainda por cima conseguiram almoçar na lanchonete do Corinthians. Alguns até foram tomar banho no vestiário porque estavam suados depois de jogar um “21″ nas quadras externas de Basquete! Mas tudo bem, alguém ousa falar em sorte com corintiano? - o “Gavião” estava com tanta sorte esse dia que até conseguiu pegar a baqueta do Dan Beehler!

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Após este tumulto inicial, das porradas e dos hematomas, a fila começou a andar e os fãs foram se dirigindo ao ginásio. Quem estava usando cinto de bala, jaqueta de couro com pingente, braceletes e todo o visual característico da época, foi pego de surpresa. Todos tiveram que deixar os seus adereços em caixas, com a promessa da PM de que iriam devolver no final do show. Isso, obviamente, não aconteceu.

Na porta do ginásio conversei um pouco com o Walcir da Woodstock e aí entrei novamente naquele local que não guardo boas recordações na área do esporte. Logo lembrei daquela lavada que meu time de Basquete havia tomado do Corinthians. Eu jogava pelo Clube Paineiras do Morumby e nós perdemos o jogo de 98 a 18! Ridículo! Mesmo assim, por sorte, eu havia sido indicado por um técnico para fazer teste justamente no Corinthians. O treinador “Sun Guara” (Luis Guaranha) me viu, deixou que eu treinasse, e falou: “Você joga bem, tem todos os fundamentos, mas dê uma olhada no meu time. Precisa mais alguém?”. Eu, que já havia sofrido a maior derrota da minha vida naquele ginásio e que além do mais torço para o São Paulo Futebol Clube, pensei: “Tudo bem, vou jogar na ADC Pirelli de Santo André e foda-se”. O mundo dá tantas voltas que anos depois o mesmo Luis Guaranha acabou indo para o Paineiras do Morumby e foi treinador da categoria do meu irmão Frederico e do Conrado Tabuso. E a coincidência maior foi descobrir muito tempo depois que na mesma época que eu estava treinando Basquetebol na Pirelli o Frans Dourado, colaborador da revista Roadie Crew, treinava Vôlei lá! Por estas e outras vemos o quanto mundo é pequeno.

Voltando ao dia do show, quando entrei a primeira coisa que pensei foi encontrar meu irmão. E não é que ele estava sossegado na lanchonete comendo um churrasquinho (de gato, eu acho … ou de bode, hahahaha), sem qualquer tipo de preocupação. Os outros, da turma do Basquete, pareciam “mauricinhos” de tão limpos que estavam. Imagine só, camisas do “Welcome To Hell” e do “Black Metal” novinhas e banho tomado! Deu até raiva…

Quando olhamos para o palco já estávamos viajando e pensando qual seria o set list do Venom. Fiquei pouco tempo na pista e fui para a numerada do lado esquerdo do palco. O set do Vulcano foi intenso, extremo, mas pena que o som para os PAs não estava bem regulado. O Exciter levantou o público presente, estimado em mais de 6 mil pessoas - alguns dizem sete, oito, nove, dez, onze mil… Como o Frans Dourado fala: “Essa história parece àquela do jogo do Santos e Juventus, do gol mais bonito que o Pelé fez. Se todo mundo que fala realmente foi, o público ia encher dois estádios como o Maracanã”.

O som dos PAs não estava lá com aquela qualidade prometida, mas valeu! O Gavião é um que até hoje reclama: “Todo mundo fala só do Venom, mas e o Exciter?!”. O mais saudado naquele dia foi o baterista Dan Beehler, que estava usando aquela “bateria do foguinho”, confeccionada pelo Tibério Correa Neto, renomado luthier (Luthier Drum) e baterista que gravou o EP “A Ferro e Fogo” do Harppia. A mesma linha de batera “do foguinho” foi usada depois por Lars Ulrich, na primeira vinda do Metallica ao Brasil.

Ao final do Exciter a expectativa era grande. Havia chegado a hora. As luzes se apagam e entram em cena Cronos, Abaddon e… Bem, Mantas não estava mais fazendo parte da banda e dois guitarristas - Mike “Mykvs” Hickey e James Clare - o substituíram. Tal fato gerou e ainda gera polêmica. Mas polêmica é quase sinônimo de Venom.

O que mais impressionou foi a velocidade com que tocaram as músicas. “Die Hard”, por exemplo, daria inveja até ao Krisiun! Outro fato interessante e absurdo foi a colocação de uma enorme rede de polietileno (tipo aquelas que ficam nas traves do Futebol) que Cronos ordenou que pusessem bem à frente. Sei lá se ele estava com medo de que alguém iria jogar algo no palco.

O show transcorreu bem, mas eu não me contive. Quando percebi que o set estava caminhando para o final falei para os outros que queria ver bem de perto. E fui. Não estava trabalhando mesmo… Aliás, para um simples estudante, jogador de Basquete e menor de idade que pegou o carro da mãe e colocou oito pessoas para ir ao show do Venom, ficar na cara do palco era quase uma obrigação.

Conseguimos ver o Cronos & Cia. de perto e ouvir clássicos como “Black Metal”, “Countess Bathory”, “Welcome To Hell”, “Warhead” (tenho certeza que o Fanin, que estava na numerada oposta, berrou com toda forma “Warheaaaaddddd!!!!”), “Teachers Pet”, “Bloodlust”, “Witching Hour”…

Anos depois, trabalhando profissionalmente na revista Roadie Crew, percebi a importância de ter sido um fanático, um radical, quase um lunático e que se não tivesse me empenhado tanto para conseguir ir a todos os shows, como este do Venom/Exciter, as coisas não teriam tanta graça.

E você acha que todos que estavam voltando comigo na “Parati Slayer” se preocuparam quando o carro parecia um barco na marginal Tietê por causa dos amortecedores? Que se preocuparam quando erramos o caminho de volta e estávamos indo parar sei lá onde? Que estávamos morrendo de fome? Nada disso. Heavy Metal é assim mesmo. Fui deixando um a um em casa e meu primo João Cláudio berrava com entusiasmo o nome de cada um bem alto, seguido de um “Venoooommmm!!!!”.

Pode ser o que for, a gente “sofre”, mas passa por cima de qualquer coisa e no final das contas vê que valeu a pena. Afinal, temos história para contar.

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(*) Ricardo Batalha é redator-chefe da Revista Roadie Crew (www.roadiecrew.com) 

Sites relacionados:
Venom Brasil - www.venombrasil.hpg.com.br
Venom - www.venomslegions.com
Exciter -
www.hemidata.se/exciter
Beehler - www.myspace.com/beehlerheavymetal

LOUCURAS EM VHS: TUDO EM NOME DO METAL

Postado por Programa Sleevers em 5/April/2008

Por Ricardo Batalha (*)

Um pouco antes do almoço daquele sábado, 17 de outubro de 1987, o pessoal da minha turma do Colégio Objetivo (Unidade Luis Góes / Humanas) - todos agora universitários - estava sossegado tomando umas cervejas, falando besteira e aproveitando o sol em Santos, naquela área localizada um pouco antes da divisa de São Vicente. O prédio do Claudio Fortuna, onde estávamos, situava-se em frente ao Caiçara Clube. Lá antes ficava o Hotel Internacional, que foi demolido em 1959, dez anos antes do meu nascimento.

Quem vivia ou passava temporadas naquela parte da cidade falava em Macuco, Pompéia, Marapé, mas até hoje não sei direito o nome do bairro. Para mim era José Menino, mesma região onde meu avô Augusto e meu bisavô Agostinho - já falecidos - tinham seus apartamentos. Só que lá falavam em Morro do José Menino. Tudo bem, as memórias são várias, mas agora não vêm ao caso, mesmo porque o meu outro falecido avô, o Professor Sóter, e meu tio Eduardo, também tinham apartamentos em São Vicente, perto do tradicional restaurante Boa Vista.

Naquela manhã de ressaca - nossa, não do mar -, uns estavam jogados nas cadeiras de praia, recarregando as baterias da noitada que havíamos feito na sexta-feira. Outros aproveitavam o dia de sol e zoavam como se não houvesse amanhã. Foi quando eu e Mauricio Gawendo, o popular “Gavião”, confirmamos para o pessoal da turma do Objetivo - Claudio Fortuna, Adalton Ribeiro, Fabio “Santão” Martins, Antonio Celso “Totó” e Alexandre Sawaya - aquilo que na noite anterior eles tinham duvidado. Na real, quase tinham feito apostas de que não iríamos cumprir o que tínhamos falado.

“Vocês estão loucos?! Sair da praia com este sol para voltar para São Paulo e filmar um festival de bandas nacionais em um colégio no sábado?”, esbravejaram. Gavião e eu confirmamos, dizendo que não dava para perder um evento como o “Radha’s Festival”, que teria bandas como Centúrias, Vodu, Sídero, Tormenta, Skullcrusher, Battle, entre outras.

Todos riram da nossa cara, mas não nos importamos. Eles sabiam que cumpríamos religiosamente nossos compromissos e sempre íamos juntos ao Teatro Mambembe. Alguns deles também iam, mas só para curtir os shows, enquanto nós íamos para filmar. Não ganhávamos muita coisa filmando, mas víamos aquilo como uma forma de poder fazer algo de útil para a cena, além de auxiliar as bandas com a gravação do show em vídeo, que naquela época era novidade.

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Antes de pegar a estrada para São Paulo fomos almoçar no Beduíno, que ficava ali perto, na avenida Presidente Wilson. Os beirutes, como de costume, estavam muito bons, mas os nossos pensamentos não iam além das câmeras de VHS, as filmagens e o Heavy Metal nacional. Não sabíamos ao certo onde ficava o colégio que seria realizado o “Radha’s Festival”, se no Ipiranga ou na Mooca, mas acabamos achando o local com certa facilidade. Afinal, a vontade de gravar aqueles shows de bandas brasileiras sempre falou mais alto.

Chegando ao colégio, rapidamente conseguimos acesso. Até então não havia a chamada ‘imprensa especializada’ e era muito fácil entrar em qualquer evento quando se estava carregando câmeras de vídeo, pois pouca gente possuía aquele tipo de equipamento. Era até engraçado o modo como as pessoas nos olhavam quando estávamos com as câmeras. Em alguns casos, chamávamos mais a atenção que os próprios músicos que iam tocar. No Teatro Mambembe tínhamos até espaço reservado e circulávamos como se tivéssemos um ‘all access’ no peito. Só o cara da portaria, que depois chegou a colaborar na Rock Brigade, embaçava e queria dar uma de mandão. O mais legal é que toda semana ele falava a mesma coisa: “Os nomes de vocês não estão na lista. Vão ter que esperar”. E toda vez ele vinha cinco minutos depois: “Tá liberado. Podem entrar”. Eu e Gavião já nem ligávamos mais. Deixávamos o cara lá com aquele ar de autoridade e depois entrávamos na boa, mesmo porque nós tínhamos as câmeras. As velhas Panasonic, aquelas que cabiam a fita VHS inteira dentro.

Com a autorização para ir para todos os lugares no “Radha’s Festival”, fomos dar uma passada nos camarins, que na realidade eram salas de aula, separadas por banda. Como sempre havia tensão no ar, desta vez porque o vocalista Eduardo Camargo faria um show com o Sídero, justamente antes do set do grupo que o projetou no cenário, o Centúrias. “Será que eles (Centúrias) vão falar com o Edu?”, questionavam alguns que andavam pelos corredores da escola.

O Sídero era uma banda paulistana que ensaiava no bairro dos Jardins e que inicialmente contava com os gêmeos Mario Henrique (baixo) e  Mario Augusto (bateria), além de Alex “Duyu” Colacioppo (guitarra) e um outro guitarrista que infelizmente não lembro o nome. A primeira Demo, coisa absurdamente rara, trazia uma mescla de Hard Rock e Metal, em sons como a instigante “Gosto de Fel”. Como a banda tinha diversas composições, mas não conseguia encontrar um vocalista, as partes de voz foram registradas por Alex “Duyu”, hoje um renomado luthier. Tempos depois, da formação original restou apenas Mario Augusto, que chegou a ensaiar com o Viper após a saída de Cassio Audi. O Sídero faria no “Radha’s Festival” seu primeiro show com o novo line-up, agora com o reforço do vocalista Eduardo Camargo.

Tudo corria bem naquela tarde, a não ser alguns atrasos na troca de bandas no palco e o som, que vez ou outra falhava. Mesmo assim, os grupos fizeram shows corretos e agitaram os presentes. O Sídero não impressionou, mas não decepcionou.

Quem teve problemas durante seu set foi o Centúrias, que divulgava faixas do LP “Ninja” (1987). O grupo também estava com um novo line-up, agora com o fundador Paulão Thomaz (bateria) atuando ao lado de César “Cachorrão” Zanelli (vocal, ex-Santuário e Aerometal) e os ex-Harppia Ricardo Ravache (baixo) e Marcos Patriota (guitarra).

Eu e Gavião já havíamos filmado o antológico show “No Posers” do Centúrias, ocorrido no Teatro Mambembe a 12 março daquele mesmo ano. Na ocasião, Paulão usou um sinal de ‘proibido posers’ nas peles de resposta dos bumbos gigantes de sua batera (ver foto) e César “Cachorrão” Zanelli passeou pelo palco com uma placa tipo a de trânsito de proibido estacionar com a inscrição ‘proibido posers’. Paulão queria tirar uma onda do visual de seus amigos do grupo paulistano de Hard/Glam Proteus, entre eles Ciro Bottini (vocal - hoje um campeão de vendas no Shoptime) e Joe Moghrabi (guitarra - um dos melhores professores de guitarra do Brasil), que haviam tocado no Mambembe  na semana anterior.

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Mas se tudo deu certo no show “No Posers” o mesmo não pode ser dito no “Radha’s Festival”. Eu e Gavião estávamos fazendo as filmagens ao lado do técnico de som, em cima de um praticável de madeira que ficava na pista, mas a uma considerável distância do palco. A medida que os shows iam acontecendo, o técnico ia bebendo sua garrafa de Fanta Laranja. Só que no meio do set do Centúrias, o retorno para o palco começou a falhar e a chiar, atrapalhando a performance. Ao final de uma música, Cachorrão falou diretamente para o técnico de som o que estava acontecendo. Mas o problema persistiu e durante a execução de “Não Pense, Não Fale” - faixa do EP “Última Noite” (1986) - o transtornado Cachorrão mudou o refrão e cantou: “Vamos armar as guitarras e invadir esta MERDA!!!!”… Depois disso, ele passou a detonar o técnico de som a cada final de música. Só que o som para o público, que saía dos PAs, não estava ruim. Era só no palco, para os músicos. Mas o Cachorrão nem se ligou e continuou irado, gritando: “Seus filhos da puta… Arrumem isso!”… O mais curioso é que quanto mais ele ficava nervoso, os fãs mais aplaudiam e gritavam. Segundo relato do baixista Ricardo Ravache, eles poucas vezes foram tão aplaudidos. É, quem pagou pato foi o Centúrias, pois naquela garrafa do técnico de som só havia o rótulo de Fanta Laranja.

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O “Radha’s Festival” durou até a noite e também acabou sendo o último do Vodu com a formação que divulgava o álbum de estréia, “The Final Conflict” (1986): André Góis (vocal), André “Pomba” Cagni (baixo), Sérgio Facci (bateria), Bruno Bontempi e Jeff Bellasky (guitarras). Eu e Gavião havíamos filmado o show de estréia de Jeff - que substituiu José Luis “Xinho” Gemignani - a 28 de julho de 1987 no Teatro Mambembe. Naquela oportunidade o Vodu dividiu o palco com o Angel, um grupo vindo de Santos, curiosamente o local de onde eu e Gavião saíamos naquele sábado ensolarado para registrar o que rolou no “Radha’s Festival”. Tudo em nome do Metal…

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(*) Ricardo Batalha é redator-chefe da revista Roadie Crew (www.roadiecrew.com)

VINTE E CINCO ANOS DE MAGNETISMO

Postado por Programa Sleevers em 12/March/2008

Por Ricardo Batalha (*) 

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‘É, hoje vou sair da escola e vou direto para o centro. Meu pai nem vai falar nada. Minhas notas estão boas. Saí até no quadro de destaque do Liceu Pasteur. Não tem do que reclamar. Mas preciso passar em casa antes. Como vou entrar na Woodstock com esse uniforme marrom feio do Pasteur? Lá na loja tem aqueles caras cabeludos, com as jaquetas jeans cheias de buttons e patches. Não posso ir assim tão ridículo. É. Não dá. Mas aí minha mãe pode reclamar. Ah, tudo bem. Eu tenho que comprar o novo disco do Kiss!’… 

No carro, a caminho de casa, solto: “Mãe, vou lá no centro agora, no escritório do meu pai”. Já esperava por um sonoro “Mas de novo? Hoje não!”, mas felizmente as coisas estavam bem tranqüilas. Afinal, nada melhor que notas altas no boletim e ser titular do time de basquete para amansar os ânimos. “Almoce antes então. Por que tanta pressa?”, disse minha mãe. A resposta foi de bate pronto: “Porque ele não sabe que eu vou e quero almoçar com ele”. Pronto. Consegui.

 A troca de roupa durou um minuto. Tirei aquele uniforme cor de bosta, que até mesmo meus tios que tinham estudado no Pasteur falavam mal, e coloquei minha camiseta do Judas Priest. Precisava ir rápido. “Tchau mãe. Avisa o Leke pra não ir para o clube antes de eu chegar”

Em meia hora eu já estava saindo do metrô Sé, perto daqueles caras que engraxam sapatos, das ciganas que faziam leitura da mão oferecendo pipoca e dos pregadores evangélicos. Ao chegar no escritório, cumprimentei os advogados, meu avô e o João Carlos, que trabalhava lá e foi responsável por me fazer ouvir Rock e Heavy Metal. Logo entrei na sala do meu pai. “Aí pai, vou lá na Woodstock, tá bom?”. Com a rapidez de sempre e o bom-humor habitual, ele respondeu: “Tudo bem meu filho, mas não demore. Preciso almoçar mais cedo porque tenho audiência às 14h no fórum João Mendes Jr.”. 

Em menos de um minuto eu estava na escada rolante verde claro daquela galeria da rua José Bonifácio, que no andar térreo tinha a alfaiataria do Pires e umas lojas de roupas. Àquela altura estava olhando para baixo e pensando: ‘Se eu conseguir comprar o novo disco do Kiss e meu pai resolver almoçar aqui embaixo no restaurante Itamarati eu estou feito. Será um dia perfeito’. 

Ao entrar na Woodstock fiquei olhando para as paredes e as estantes para ver as novidades que o proprietário Walcir Chalas sempre colocava à frente, com seus avisos especiais caso os discos fossem bons. Por sorte avistei que já havia chegado o novo disco do Kiss. Vi e tomei um susto: ‘Mas o que é isso?! Eles estão mesmo sem maquiagem?! Oras, mas acabei de ver o show deles no Morumbi e foi aquela coisa teatral, explosiva, com tiros de canhão, fumaça colorida, fogos de artifício e com todos eles maquiados. Achei que era boato, que nunca iriam fazer isso. Tá bom. A indicação do Walcir na capa está como ótimo. Tenho que levar!’. 

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Walcir, esse disco do Kiss sem máscara é melhor que o ‘Creatures Of The Night’?”, questionei. “É bom. Pode levar Batalhinha. E leva antes que acabe, porque todo mundo sabe que chegou e está vindo aqui“, disse Walcir. Aí fiquei olhando outros discos e pensando: ’será que ele está falando isso só para vender? Ah, pode ser, mas ele nunca indica coisa ruim quando coloca o papel na capa escrito ótimo.  Com o UFO foi assim. Com o Judas Priest foi assim. Com o Scorpions, Triumph, The Rods, Motörhead e tantos outros também. Pô, foi por causa daquela coletânea em fita K-7 que ele gravou que conheci o Anvil, Metallica, Raven, Accept e tantas outras bandas’. É, eu não tinha como duvidar. Afinal, ia levar de qualquer jeito este disco. Só de ver a cara limpa dos caras do Kiss pela primeira vez já valia. 

Comprei o disco e voltei ao escritório do meu pai carregando-o com orgulho debaixo do braço. Logo o tirei daquela embalagem em papel branco com o logotipo da Woodstock e mostrei a capa para o João Carlos, vulgo “Sujeirinha” e que tempos depois seria piloto de motocicletas sob o pseudônimo “Johnny Dillinger”.  Ele, incrédulo, disparou: “Rica, eu também achava que era boato, mas se eles tiraram a maquiagem é porque alguma coisa séria aconteceu. Será que estão precisando de grana? Posso até errar, mas ou é um disco histórico ou será daqueles que a gente tem vontade de devolver pro Walcir depois de ouvir”. Como ele também não costumava errar, fiquei com aquela pulga atrás da orelha. Mas devolver eu não ia. Pô, só a capa já valia. E ainda por cima aqueles caras velhos fãs de Kiss não gostavam do “Dynasty” e do “Unmasked” e eu adorava. Tinha que ser bom! 

Estava indo para a sala do meu pai, mas antes parei na do meu avô. “Comprou mais um disco, Ricardo?”, perguntou ele. “Sim Vô, do Kiss”, respondi. “Ah, dos mascarados?”, emendou ele. “É. Eles eram. Olha aqui a capa”, disse. “Esse sujeito aqui está estranho, Ricardo. É meio vira-folha”, brincou meu avô, questionando a sexualidade de Paul Stanley. 

Me despedi de todos no escritório, porque naquele momento eu só pensava em ouvir o disco novo do Kiss. Do Kiss sem máscara! Mas antes disso fui almoçar com meu pai. Daquela vez não no restaurante Itamarati. Pena. É, mas foi bom, o garçom de lá demorava muito e nem deixava a gente pedir direito. Era daqueles que gostava de adivinhar os pedidos. Até o Walcir da Woodstock sabia disso, porque às vezes ele também almoçava lá. 

Ao sairmos do restaurante, enquanto meu pai se dirigia ao fórum, fomos tomar um café. Claro que antes discutimos, porque ele sempre queria tomar num que ficava perto da loja Kopenhagen e eu num bar nojento e sujo perto da praça da Sé. Bem, por minha causa, acabamos indo naquele misto de buteco e restaurante, que servia a média em copo de pinga. Era feio, mas o café era melhor. 

Despedi-me e fui quase correndo para a Sé. Meia hora depois estava em casa ouvindo o disco do Kiss. Do Kiss sem máscara. O “Lick It Up”! Naquele dia acabei nem indo ao treino de basquete. Estava abobado. Meu irmão Frederico (Leke) também não foi ao clube treinar. Minha mãe entendeu que estávamos quase obcecados pela novidade.

Acho que meu irmão sentiu mais os efeitos hipnóticos do disco, pois considera até hoje o “Lick It Up” um dos melhores do Kiss. A música então nem se fala… Eu tinha a minha opinião: era melhor que o “Creatures Of The Night”! Efeitos daquele momento? Não sei. Meu irmão responde até hoje: “Os dois são bons. A briga é feia!”. No final, aprovamos o Kiss sem máscara e eu criaria mais uma polêmica na escola no dia seguinte. Claro que eu levei a mala com material escolar e o disco no Kiss embaixo do braço.  

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FICHA TÉCNICA - KISS “LICK IT UP” (1983):  

Gravação: julho e agosto de 1983

Lançamento: 18 de setembro de 1983

 Gravadora: Mercury Produtores: Michael James Jackson, Gene Simmons e Paul Stanley

Estúdios utilizados: Right Track Studios, Atlantic Studios e The Hit Factory - Nova York/EUA

Charts: 24º lugar na The Billboard 200

Primeiro Single: “Lick It Up” (setembro, 1983)

Segundo Single: “All Hell’s Breakin’ Loose” (janeiro, 1984)

Premiação: disco de platina pela vendagem de 1 milhão de cópias 

LADO A:

1. “Exciter” (Vinnie Vincent, Paul Stanley) - 4:10

2. “Not for the Innocent” (Vincent, Gene Simmons) - 4:23

3. “Lick It Up” (Vincent, Stanley) - 3:59

4. “Young and Wasted” (Vincent, Simmons) - 4:04

5. “Gimme More” (Vincent, Stanley) - 3:41 

 

LADO B:

1. “All Hell’s Breakin’ Loose” (Vincent, Stanley, Simmons, Eric Carr) - 4:34

2. “A Million to One” (Vincent, Stanley) - 4:17 3. “Fits Like a Glove” (Simmons) - 4:04 4. “Dance All Over Your Face” (Simmons) - 4:13

5. “And on the 8th Day” (Vincent, Simmons) - 4:02

 

Tempo total: 41′27″

BANDA:

Gene Simmons - baixo e vocal nas faixas “Not For The Innocent”, “Young and Wasted”, “Fits Like A Glove”, “Dance All Over Your Face”, e “And On The 8th Day”

Paul Stanley - guitarra e vocal nas faixas “Exciter”, “Lick It Up”, “Gimme More”, “All Hell’s Breakin’ Loose” e “A Million To One”

Vinnie Vincent - guitarras e backing vocals

Eric Carr - bateria e backing vocals

 

  

(*) Ricardo Batalha é redator-chefe da revista Roadie Crew (www.roadiecrew.com)

THE GOOD OLD DAYS

Postado por Programa Sleevers em 22/February/2008

Ricardo Batalha 

“Éramos todos jovens, nos divertindo como loucos. Mas a vida mudou e a realidade é outra. Não podemos mais ter tudo que queríamos. Somos sonhadores agora? Não, mas os bons e velhos tempos se foram… Não somos mais jovens, mas não estamos tristes. Ninguém está derrotado, apenas relembrando nosso passado. Só que uma coisa é certa: aquela porta está fechada para nós. Somos sonhadores agora? Não, mas os bons e velhos tempos se foram… Tenho consciência de que não somos sonhadores baratos. Não vivemos no mundo da lua. Mas se alguém pudesse abrir aquela porta novamente e todos fossem para lá, você iria também para sorrir novamente? Sim! Queremos os bons e velhos tempos de volta!”. 

Se tivesse consciência de que quando escrevi a letra da música “The Good Old Days” (aqui traduzida para o português) para o Swingfire - grupo que integrava como baterista no final dos anos 80 e início da década de 90 - aquilo pudesse se tornar realidade, confesso que teria rasgado aquele pedaço de papel. Explico.

Eu a fiz após uma noite de balada no Black Jack Rock Bar, uma das mais tradicionais casas de Rock do Brasil, que ficava na avenida Adolfo Pinheiro 1671, Alto da Boa Vista, em São Paulo/SP.Quando tive a idéia da letra estava justamente pensando no que aconteceria quando ficássemos “velhos” e nos encontrássemos para uma derradeira balada no Black Jack. “Velho” poderia ser uma metáfora para falecido.

Só que eu sequer poderia imaginar a seqüência de fatos intrigantes que viriam.Coincidência ou ironia do destino, a primeira vez que o Swingfire apresentou “The Good Old Days” ao vivo foi justamente no Black Jack Rock Bar. Era a chamada “segunda fase” da casa, que a partir de 1988 teve como proprietários Paulinho “Heavy” (ex-apresentador do programa Som Pop da TV Cultura e ex-vocalista banda Inox), Fernando “The Crow” (ex-guitarrista do Inox) e mais dois sócios.O Swingfire tocou lá algumas outras vezes, mas as grandes noitadas já eram sagradas desde a época que sequer tínhamos intenção de montar uma banda. Por sinal, nem tínhamos idade para freqüentar uma casa noturna…

A primeira fase, das “garrafas no teto do bar”, como alguns dizem, era mais “intimista”. Não havia tanto alarde, mas muitas amizades foram formadas e diversas bandas legais, como Hot Stuff e Jaguar, tocaram no “fundão” do bar, local onde nos últimos tempos ficava a mesa de bilhar.Depois, na “fase Paulinho Heavy”, quase todas as bandas brasileiras tocaram no Black Jack, que abria de terça a sábado.

Quase não havia release de um grupo nacional que não constasse ao menos uma apresentação no bar.Quem era “da casa” também vai se lembrar da “gentileza” do saudoso Gorô (”Dá o cartão aí, pô!”), da mesa de Gamão, do carrinho de hot dog, dos drinks especiais, da máquina de chopp (”com copo de vidro cristal e tudo!”), das garçonetes e de figuras lendárias como o próprio Gorô, B12, Vitório, Mingo, Fumaça, Paulinho, Fernando, Carlos Barrinha, Aranha, Fralda, Murillo, Maly, Maurício Baby Boy, Edson “Zé” Schultz, Henri, Ackua, Paulão, Macarrrão (1), Leão, entre dezenas de outros não menos emblemáticos daquelas duas primeiras fases.Houve também o início da “febre das bandas cover”.

Se fizermos um esforço, seremos capazes de lembrar de quase todas as noites e baladas que lá fizemos ao som do Trama, Gypsy, Motörhead, Metallica, Skid Row, Iron Maiden e outros grupos cover, a não ser quando saíamos carregados. É, aconteceu com quase todo mundo… Até mesmo com músicos. Vários deles…Depois da “fase Paulinho Heavy”, em meados de 1997 o Black Jack Bar passou para as mãos de Fabio “Macarrão” Mainente, que era vocalista (e ex-baterista) da banda Proposital Noise e há tempos comanda o Sleevers.

Coincidentemente, o Proposital contava com meu grande amigo de infância, o baixista Fabio Romero. Na guitarra estava o irmão de Fabio, Wecko Mainente, que seria o futuro proprietário ao lado do ‘punk rocker’ Werner.

O Black Jack Bar durou vinte e seis anos, de 1980 a 2006, quando fechou as portas e deixou um gosto amargo para todos que o tinham como sua “segunda casa”.

Hoje, Wecko e Romero atuam em grande estilo no Threat, banda que coincidentemente surgiu no bar e foi a última a pisar no sagrado palco do mesmo, no dia 16 de dezembro de 2006. Naquele sábado, um misto de tristeza e nostalgia se instalou entre os presentes. Mas ninguém foi capaz de recusar um belo shot de drinks, como “Enéas” ou “Sleevers”. Afinal, as portas se fechariam para sempre.O Black Jack Rock Bar foi demolido e deu lugar a um estacionamento, tal qual a casa do guitarrista do Swingfire, Adalton Ribeiro, onde foi ensaiada pela primeira vez a música “The Good Old Days”.

 

(*) Ricardo Batalha é redator chefe da revista Roadie Crew (www.roadiecrew.com).

TATUAGEM TÁ NA MODA… PONTO FINAL!

Postado por Programa Sleevers em 24/January/2008

Por: Paulinho Tembetá

Começou o verão no Brasil. Nesse clima em que as temperaturas ultrapassam fácil os 30ºC, seja no litoral, seja no interior, é impossível ir à praia ou sair à rua e não encontrar um desenho valorizando o corpo de uma pessoa. Pode ser uma simples marca tribal ou até gigantescos dragões.

Estilos diferentes que compõe essa nova onda que vem tomando conta do país. Modismo ou não, a tatuagem está se tornando uma mania mundial. Nos dias de hoje é difícil encontrar alguém que não tenha ao menos pensado em fazer uma tatuagem, pequena, grande, de agradecimento ou de homenagem, que seja… A tatuagem perde cada vez mais o estigma marginal e está se disseminando nos corpos de pessoas de várias idades e classes sociais.

Presume-se que há hoje no Brasil cerca de 25 milhões de pessoas tatuadas, um dado que comprova que a tatuagem, mais do que nunca, tem deixado a clandestinidade e que o preconceito tem diminuído.

Com essa demanda, tem aumentado bastante o número de estúdios e profissionais na área. Estúdios pipocam diariamente em grandes centros como São Paulo e Rio de Janeiro e com essa concorrência muitas vezes desleal, a qualidade acaba sendo comprometida.

É importante informar que um bom estúdio deve possuir autoclave, que é um equipamento usado em hospitais para esterilização de todo o material não descartável e ter uma sala separada das demais para esse tipo de procedimento respeitando as normas da vigilância sanitária. Deve, além disso, contar com profissionais com o mínimo de conhecimento de biossegurança (conjunto de normas o profissional é obrigado a seguir pra evitar qualquer tipo de infecção/contaminação de maneira direta ou cruzada), técnicas de desenho e respeito ao cliente.

Apesar do modismo, não se esqueçam que a tatuagem não sai do corpo! É impossível removê-la e ao contrário de outras formas de modismos, não pode ser trocada a cada estação.

Recomenda-se, portanto, pensar muito bem antes de fazer uma tatuagem, escolher um desenho que realmente tem a ver com a pessoa e fazê-la em um estúdio adequado e de confiança com profissionais preparados e que respeitem a legislação vigente.